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domingo, 30 de novembro de 2014

About Serendipity

Soundtrack: click here

When it comes to people and places
There's no right or wrong
Better or worse
Correct or incorrect
There are just places
you deserve to be at
There are just people
you deserve to be with
It's about being happy
It's about deserving
It's all about the way you guide your own life
It's all about being who you really are
Make a decision
Find a way
It's all up to you
It's your life
Every choice is a loss
So please be glad about it
Put your shit together
The Earth is spinning
And as it comes and goes
Life is rearranged
Keep looking up
You have just become it
You've just got what you have always deserved
Some people call it karma
Some others call it God
I call it 'serendipity'

Keep your head up
And your middle finger higher
There you go, girl
Time to fly

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Sobre quem respeita meus fones de ouvido

Trilha sonora pra esse texto: clique aqui


Assim como outras muitas histórias começaram nesse dia, esta história também se iniciou no dia 15 de Fevereiro de 2003, o dia que determinou parte dessa minha existência, parte da minha caminhada, parte da minha felicidade. Foi nessa manhã de sábado que a conheci.
Estava começando a dar aula nessa escola. Era meu primeiro semestre lá e apesar de já conhecer todos os professores e dominar o método, os alunos seriam novos e isso até hoje, mesmo depois de tantos anos na profissão, é algo que me deixa apreensiva. Lembro que minutos antes de entrar na aula, perguntei sobre os alunos pra professora que os havia lecionado no semestre anterior. Ela me respondeu: “Essa classe é muito boa e tem a Mari-go-to-hell, muito engraçada, você vai adorar ela.” – Sim, foram essas as primeiras informações que recebi da criatura.
A turma era realmente muito boa. Já haviam se formado e o semestre que estudariam comigo seria apenas uma espécie de extensão focada em prática e fluência no idioma (Inglês, no caso). Ela chegou atrasada no primeiro dia de aula. Entrou com cara de sono (a mesma até hoje), cabelo azul e tatuagens nos ombros. Feitas as apresentações iniciais, ouço uma conversinha lá do fundo da sala e logo em seguida, o memorável “Ah meu, go to hell!!!” seguido de um “Sorry, teacher”  – Essa era a menina de quem haviam me falado. Sim, gostei dela. Gosto de gente engraçada.
O semestre correu tranquilo, divertido e desafiador. Precisávamos apresentar uma peça teatral pra escola toda e o fato de já serem formados trazia uma responsabilidade maior. Seria filmado e avaliado como um “TCC”. Os alunos escreveram o roteiro, escolheram o figurino, trilha sonora e montaram o cenário. Foi o meu primeiro trabalho com teatro e pela primeira vez dirigia uma peça.  E foi no dia dessa apresentação que a gente se viu pela última vez como aluna/professora. Dissemos ‘goodbye’ e seguimos nossas vidas. Ela, uma menina, começando uma universidade, falando inglês lindamente e cheia de planos pra vida. Eu, uma jovem professora, casada, promovendo baladas pra um público alternativo, vendo filmes de arte e pensando no que fazer pra janta.
Daí, THANK GOD, vieram as massificações das redes sociais. Orkut e blogs. Muitos. Uma explosão pré-facebookiana, quando começamos a entender que tudo o que o queríamos era saber da vida do outro. Nos adicionamos, nos lemos, nos observamos de longe-perto, como 99% das outras pessoas que fazem parte da nossa rotina online. E desde sempre, eu gostava daquele jeito espontâneo de falar da vida, de opinar, de falar mal, de rir. E de nunca esconder nada. Meus perfis são sempre trancados, desde o falecido ‘leio, respondo e apago’ até hoje. Toda a minha vida social/virtual é restrita às pessoas que eu escolho ter acesso a ela. Os perfis dela, lógico, são abertos. Go to hell é assim, um estado de espírito livre. Porque ela bate no peito e fala ‘hoje eu vou à marcha das vadias e que se foda’. Não é à toa que hoje somos o que somos. Eu precisava muito dela pra também bater no peito e dizer que se foda. E não me sentir culpada por isso. Daí que um dia, no Twitter, tudo aconteceu (de longe, nossa rede social preferida). Eu lia aquelas coisas que ela postava e pensava o quão éramos parecidas. E começamos a interagir. Até que fui tirar uma dúvida com ela e ela me respondeu: “Vem comigo que é só vitória”. E foi. E tem sido. E será se o universo quiser.

Por quê? Bom, porque ela é uma das poucas pessoas que respeitam meu silêncio, meus fones de ouvido, meus pensamentos e minha filosofia. Porque ela também é uma viajante individual, porque ela também ama Madonna, café, museus e a Rua Augusta. Porque discutimos qualquer tema, opinamos, argumentamos e rimos. Muito. O tempo todo. Porque ela também procura por praias desertas, trilhas escabrosas e cachoeiras geladas. Porque somos antagônicas em algumas coisas e isso é divertido. Ela é corintiana - coitada e eu são paulina - tricampeã mundial. Ela chama meu ídolo de ‘viadinho’ e não acredita em Deus. Mesmo assim assiste aos jogos comigo e me ouve falando de Espiritualidade por horas sem reclamar. Porque é pra ela que eu mando as minhas localizações todas as vezes que estou em alguma situação de risco. Porque a gente ama tomar Frozen Yogurt na Paulista. Porque ela tem as tatuagens mais lindas que eu já vi. Porque a intuição dela é do caralho, e eu juro que da próxima vez que ela disser ‘sai fora, é furada’ eu a ouvirei. Porque temos, taciturnamente, um acordo de não reclamarmos da mesma coisa por muito tempo. Ou aceitamos ou mudamos. Porque ela não tem TV, lê Saramago comigo e não liga se eu dormir no meio dos filmes. Porque ela me ensinou a fazer trilha, a procurar os Buritis, a amar açaí. Porque quando mais precisei, ela me colocou dentro das suas malas, me levou de férias pro berço do meu recomeço e me ajudou a resolver as merdas que eu havia me metido. Porque ela costura. Porque ela pega todos os bichos que encontra pelo caminho e os cria dentro do seu apartamento de um quarto. Porque ela é vegetariana e impõe limites no meu cardápio hyper-junkie. Porque somos permissivas. Porque a gente se mete a modelo e aceita fazer ensaios pseudo-lésbicos pra amigos fotógrafos. Porque ela é mestre de Yoga e me ensina a respirar. Porque ela me manda mensagem perguntando como faz ‘tudo’. Porque a gente canta o Hino Nacional sempre que estamos juntas (?). Porque ela canta e dança as músicas da MC Carol. Porque andamos quilômetros e quilômetros em todos os lugares que visitamos. Muitas vezes em silêncio. Muitas outras apenas cantando. Porque ela é a pessoa que eu mais amo fotografar e a única pessoa com quem mantenho um blog (não o divulgamos, sorry). Porque eu nunca preciso pedir pra ela não contar minhas coisas pra ninguém. Porque ela guarda meus segredos, me empresta seus batons maravilhosos da MAC e me dá sapados de presente. Porque ela me chama de diaba, velho, mano, ow, bixa, cara, e o meu preferido, ‘tio’. Porque todas as vezes que eu digo que a amo, ela me responde ‘problema seu’. Porque juntas, a gente aprende, evolui e progride.

Porque ela é foda.
Feliz Aniversário, irmãzinha. Te amo – Tá, eu sei, problema meu.



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