sexta-feira, 21 de outubro de 2016

A passagem, a passageira e o passo.

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Certo dia li uma matéria sobre o saudoso Tele Santana, a quem eu, amante do futebol não poderia deixar de admirar pela brilhante historia e alegrias que trouxe a mim e a toda a minha família por todos esses anos. O admirava pelo trabalho que fez, pelo legado que deixou ao partir. Porém, naquela matéria que eu perdi em algum lugar nessa bagunça virtual, pude perceber que havia algo a mais a aprender. Nesse dia, lia com o intuito de me distrair, tamanha dor que sentia ao ser confrontada com minhas maiores fragilidades e sem querer entendi o que eu tinha que fazer.

Ele contava que ao ganhar um dos gloriosos títulos, um dos dirigentes do clube em que trabalhava viera cumprimenta-lo pelo campeonato logo após o final do jogo. Tele Santana, sorriu e agradeceu com a cabeça. Uma das pessoas ao seu redor perguntou-o porquê ele não retribuíra o cumprimento no mesmo nível de emoção e mais, por que ele não estava comemorando. A resposta foi simples e direta: porque é assim que eu estaria se eu tivesse perdido o campeonato, mas essas pessoas não estariam me abraçando tentando me confortar.

Sorrir e agradecer com a cabeça. Foi isso que eu fiz. Pra tudo. Para todos. Em todas as situações em que me encontrava. Sorrir porque é minha maior característica e agradecer, minha maior virtude. Eu agradeci todos os passos que dei.

A minha vida é a minha estrada. Nessa estrada eu sempre conduzi o carro, eu sempre escolhi as pessoas que estariam dentro dele, durante aquele trecho, ao longo daqueles quilômetros. Porque são essas as pessoas que me ajudariam a me encontrar. Pessoas com as quais convivemos tem a única função de nos fazer enxergarmos a nós mesmos. E foram centenas de pessoas até então que eu conduzi e que eu escolhi estar comigo.

Até a hora que eu virei uma passageira no carro de alguém. Até a hora que eu dei permissão pra alguém conduzir junto comigo, dividindo os trechos, me deixando levar quando necessário, e me levando quando eu precisei. E somos isso. Condutores de um carro só. Passageiros de nós mesmos. Alguém que conduziu na noite escura e fria, sozinho, acordado, apenas pra que eu pudesse dormir em paz sem saber da tempestade de neve que ameaçava a nossa viagem. Alguém a quem eu dirigiria até o final do continente pra mostrar um por do sol e deixaria sentado ao meu lado só pra sentir o seu cheiro doce e ouvir sua voz cantando pra mim. Somos condutores de nós mesmos. Sorrimos e agradecemos. Choramos e lutamos. Enfrentamos estradas duras, cheias de buracos e vazios, cheias de obstáculos e pavimentos antigos. Furamos o pneu uma vez. Mas juntos o trocamos. Vencemos esse primeiro trecho.

Nesse momento, alternando a direção, colocando passageiros no banco de trás, escolhendo os momentos certos pra avançar mais passos. Eu estou perdida. Encontro-me no banco de passageiro, fotografando pela janela, olhando pra ele focado na direção e vendo qual caminho queremos seguir. Não importa pra onde estamos indo. Não importa pra onde ele está me levando agora. Não importa pra onde eu o levarei no próximo trecho. 

Estamos no mesmo carro e a nossa estrada é cheia de luz.

Que a vida nos dê passagem. 

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Sobre ser isso

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É como se estivesse tentando prender o ar dentro de um pote de vidro. É a sensação que eu tenho quando me vejo presa geograficamente por um longo período. É a mais pura verdade: sem viajar eu não consigo nem escrever.

Me viro como posso, presa nessa cidade que me sufoca. Abraço árvores em pracinhas da esquina, de vez em nunca vagueio pela cidade à noite, sozinha, em lugares relativamente seguros, só pra poder respirar a cidade, ouvir um pouco do silêncio da noite, e me sentir um pouco livre. O excesso de pessoas, carros, barulho faz mal pra mim. Elevadores, espelhos, escadas rolantes, celulares com pessoas gritando com você por motivos que você não entende. Protestos, vigilância, opressão. Tudo isso me mata aos poucos. Não, não são os meus vícios que me matarão. É a tristeza de ver um mundo com pessoas tão alienadas com tanta razão e tão dispostas a te julgar e te sentenciar. Só porque você escolheu ser assim.

Ser livre pra mim é estar na estrada. É conversar com anônimos que não esperam nada de você, a não ser uma boa história, ou uma piada inusitada. É poder falar apenas com quem eu quiser. De preferência só com as pessoas a quem eu pagarei pelas minhas refeições e acomodação. É poder meditar ao som do mar sem ser interrompida pelo martelo do pobre vizinho que só tem os fins de semana para construir seu barraco humilde na rua de cima da minha casa.

Sinto falta de andar numa trilha, de ver cachoeira, de contar estrelas, de acender fogueira para assar marshmallows e salsichas, de tomar chimarrão, de passar o dia dentro da água. Fotografar tudo, fotografar a vida, fotografar os milagres de Deus. De abraçar árvore sem ninguém te olhando como se você fosse a louca do sobrado. De ficar descalça com o pé imundo e só calçar algo se forem meus trekking boots.

Trabalho para ter isso de volta. Cedo ou tarde estarei explorando mais uma cidade histórica, subindo mais uma montanha, armando mais um acampamento, carregando 28 quilos de mochila nas costas. Pelo menos por alguns dias. Sozinha ou acompanhada não importa. Quero apenas me sentir livre e parte da natureza de novo. Sem muros, sem concreto, sem conexão. Que minha única “rede” seja aquela que eu vou me esticar no final da tarde depois de um dia de aventuras. 

Porque eu preciso voltar a ser quem eu sou de verdade. 
Uma viajante.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Sobre permanecer - do enraizamento

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Ficar, enraizar, permanecer, estar. Tirando todo o lado negativo que essas palavras trazem a um viajante, elas também podem representar uma estabilidade emocional, profissional e consequentemente, financeira. O que se faz no futuro com o dinheiro que se ganha no presente é o que define o lado positivo ou negativo dessas fases. 

Certamente comprarei alguns quilômetros de distancia, e mais um punhado de experiência e liberdade com o lucro material que meu conhecimento multiplicado me traz. Certamente usarei parte dele para ajudar quem realmente precisa, como uma pequena forma de agradecer a saúde e a sorte que tenho nessa vida. Certamente empregarei nele todas as melhores energias, para que nunca falte.

E enquanto ficar usufruirei dos dias quentes e noites geladas dessa tentativa de inverno e das gratuidades que uma cidade como essa que eu vivo me oferece. Aproveitarei os parques, as ruas e as casas abandonadas. Acordarei em hotéis decadentes do centro da cidade, fotografarei o pânico que a multidão me faz sentir e o céu que sempre me traz lágrimas nos olhos. Falarei bobagens, discutirei filosofia barata, rirei todos os dias um pouco. Ou muito.
Aceito que tenho que ficar. E farei desse período o melhor que puder. Como sempre. Como em qualquer lugar do mundo. 



quarta-feira, 1 de junho de 2016

Sobre os círculos e ciclos da aceitação

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Das perdas irreparáveis que são sempre seguidas de escolhas relevantes. Quem escolhe viver pra viajar não sabe o que é viajar pra viver. A pessoa que corajosamente enfrenta uma estrada sozinha sabe que o mundo é feito de formas e que o círculo é o que mais lhe convém. Onde correm livremente sem obstáculos, mas de alguma maneira sempre acabam voltando pro mesmo lugar. As coisas mais belas são em formato circular. O sol, a lua, o planeta. Não me prenda em quadrados onde os cantos existem pra me deixar sufocada diante da vontade de ser livre. Estar livre é passageiro. Ser livre é um estado de aceitação.

Aceito a minha escolha de ficar. Por dores, por sabores e amores. Aceito ficar porque o que mais preciso nesse momento é estar atada nas minhas raízes. Deixarei a árvore crescer, mas a deixarei no meu quintal. Os frutos virão, tais como os pássaros que se alimentarão deles. Mas agora, nesse exato momento, eu preciso da minha base, da minha janela, do abraço de meu pai e da barra da saia da minha mãe.

Aceito que a minha outra vida tem que esperar um pouco. Que ela existe e está segura dentro de um paraíso escondido no final do continente.

Aceito que boa parte dos que eu amo estão longe. Alguns em outras cidades, outros em outros países, e até um em outro continente. Infelizmente, alguns já me esperam em outro plano. Aceito que a distância é necessária, e quem viaja pra viver sabe o que é a delícia de um reencontro. Seja ele quando for. Se tiver que ser. – Na rua, na chuva ou na fazenda. Ou lá na minha casinha de sapê...

Aceito o meu novo ciclo de vida, sentindo a paz que eu busco tanto e trabalho duro pra ter. Grata ao meu último ciclo que se encerra, pois sei que as escolhas que fiz me trouxeram onde estou. Que eu continue fazendo as escolhas certas, que eu aceite as erradas. E que, acima de tudo, eu continue sendo sincera e honesta com os meus sentimentos e desejos.

Porque é só assim, aceitando a verdade dentro de mim e de meu coração que eu consegui chegar perto daquilo que as pessoas costumam chamar de felicidade. Eu chamo de liberdade.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

São Paulo, São João, São Francisco e finalmente, SÃO SEBASTIÃO

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Uma das coisas que afetam diretamente meu humor é a estação do ano. Logo, sabia que quando o verão acabasse e o outono finalmente desse as caras por aqui, muitas coisas mudariam na minha rotina. Porque no outono eu me preparo, no verão eu vivo. No inverno costumo me apaixonar e viver grandes amores. Na primavera eu vou pras cachoeiras meditar.

Precisava escolher onde dizer “adeus” ao verão. Onde passaria as últimas horas, onde veria o último nascer do sol, o último por do sol. Porque essas são as coisas que realmente me importam. Escolhi São Sebastião, litoral norte de São Paulo. Dentro do meu budget para as viagens do verão consegui fazer uma mini viagem de cinco dias.

Encontrei um hostel incrível em Maresias, 200 metros da praia. Café da manhã maravilhoso, bar rock and roll, gente alternativa, piscina e quartos compartilhados com banheiro privativo, ventilador, luz e tomada em cada cama. Fiquei num quarto com cinco pessoas, e duas delas se tornaram parte da minha estrada e da minha vida.

Foram três praias (sendo que uma era deserta), duas amigas, muita farofada na areia, alguns “amigos” novos que surfavam por lá, e muita água morna e cristalina.

Choramos abraçadas ao ver o último por do sol e tivemos a certeza que a viagem foi uma das melhores escolhas de última hora que nós três fizemos. Julya voltou para Aquidauana, MS. Tathiana está por aí em alguma praia qualquer. Já eu, voltei para o Guarujá em Abril, e aguardo ansiosamente os dias que faltam pra próxima viagem.

Grata ao Universo. 






quinta-feira, 7 de abril de 2016

O Mar Casado

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Nessa altura da minha vida e com tantos quilômetros rodados por essas estradas, nunca imaginei que fosse encontrar o meu cantinho preferido tão perto de casa. Muita gente tem a impressão que um viajante só viaja pra longas distancias. Que só faz mochiladas malucas em lugares remotos, que só está interessado em lugares com mais de 1000 km de distância do seu ninho. Não é bem assim. A necessidade de quem tem esse ritmo de vida é descobrir. Lugares, comidas, cheiros, pessoas. Seja onde for. Pra se ter uma ideia, eu sou o tipo de viajante que quando não tenho possibilidade de viajar, vou pra algum lugar que nunca fui dentro da minha própria cidade. Moro em São Paulo e eu posso fazer isso todo o dia se quiser. Sempre haverá um lugar novo e um ônibus pra eu chegar lá. 
Nesse verão, descobri que o Guarujá é muito mais que a Enseada. Confesso que evitava praias muito próximas de casa. Pelo número de frequentadores e qualidade da água. E daí que tem um cantinho lá que é um paraíso perdido. Com tartarugas gigantes, água cristalina, areia branca, bica de água potável e o mais importante: quase ninguém. O por do sol é um espetáculo sempre.
Esse ano eu passei mais tempo nesse canto que dentro da minha própria casa. Qualquer chancezinha, e lá estou eu. Recomendo o Hotel Mar Casado, que tem preços acessíveis e fica razoavelmente perto da praia. Não é lá essas coisas, mas vale o custo. Tem café da manhã e os quartos são limpos. Pra quem faz viagens “low budget” como eu, bom lembrar-se de levar coisinhas pra comer e um cooler pra manter sua bebida fresca. Os quiosques ficam longe e claro tudo é muito caro (pelo menos pra mim).
Pra quem vai de ônibus, do Jabaquara saem ônibus de hora em hora pro Guarujá. O custo de ida e volta dá em torno de R$ 60,00. Descendo na rodoviária de lá, vá até a avenida principal e pegue o ônibus 55. Custa 3,20 e te deixa na “porta”. Chegando no Mar Casado, caminhe até as pedras – nada mais de 10 minutos de caminhada.
Pra quem vai de carro, não sei. Use o Waze.



terça-feira, 22 de março de 2016

Sobre o verão de 2016 - da aceitação

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Deixei de escrever durante todo o verão. Havia novidade, criatividade, até vontade. Mas faltava uma lição a aprender. Faltava entender o fim.
Escrever é sempre uma forma de eternizar algo. Da mesma forma que uma fotografia, as palavras te ajudam a guardar aquilo que se quer, da forma que se quer. Deixar acabar primeiro e depois eternizar de alguma forma foi uma maneira que encontrei de aceitar que tudo aquilo que vivemos tem fim. Que sempre haverá algo pra recomeçar. Deixar passar, respirar fundo e reviver em minha mente apenas aquilo que eu escolhi reviver.



E eu escolhi o mar. Alguns mares, muitas estrelas, uma quantidade de areia infinita e um céu colorido. Escolhi entrar em contato comigo através da natureza selvagem. Escolhi deixar todo o sal do oceano Atlântico levar embora minhas dores.

Estar no Uruguai novamente, morando e trabalhando numa comunidade hippie de vinte e oito pessoas, ouvindo todos os idiomas do mundo, dando passagem pra quem pedisse e entrando no mar gelado todos os dias. Revendo amores, comendo doce de leite, tomando mate, lendo enlouquecidamente e caminhando.

Entrar no Mar Casado com Pernambuco, ao lado de alguém a quem não preciso dar explicações. Ver o Sol se pondo, manchando o Universo acima da minha cabeça com cores inexplicáveis.
Encher a mala de novo e caminhar rumo ao norte. Conhecer almas extremamente solidárias no caminho. Ser feliz e morrer de saudades. Daquele cheiro, daquele abraço.

Voltei pra me reconciliar. Comigo mesma e com o mundo. 

sábado, 7 de novembro de 2015

Notas da cidade: da coragem

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Desistir não é a palavra. Agora é investir. Em mim e no que eu acredito. Na minha verdade. No limite do que eu ainda posso ter, na dúvida do que eu realmente quero ser. Para mim, para o mundo. É chegada a hora de agir, de tirar do papel as listas e listas do que fazer com o futuro. O futuro chegou e junto dele, finalmente, a coragem.

Deixar pra trás não é mais objetivo. Agora é olhar pra frente. Atravessar a rua de novo. Cruzar a fronteira. Levantar acampamento e simplesmente, ver o tempo passar. Contar estrelas e barcos, corações restaurados e vozes silenciadas. É hora de acender fogueira, queimar, queimar, deitar e dormir. Ao luar.

Sentir falta não é mais regra. Agora é preencher espaços vazios. Não recomeço algo que deixei de fazer. Agora é o começo de algo que nunca fiz. Pelo menos, não desse jeito. Pelo menos, não por isso.

Com as feridas cicatrizadas. Com toda a coragem do mundo.


sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Notas da estrada: do futuro

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E desde as sementes de cacau, lá na civilização Asteca ou o escambo, no início da sociedade, o homem, esse serzinho esquisito, vem fazendo as maiores cagadas por conta desse negócio chamado ‘dinheiro’ (termo que pode facilmente ser substituído por ‘poder’, ‘status' ou 'título’). Culpa de um orgulho e de um egoísmo inato. Culpa de um meio doente, alienado e sedento por pedaços de papel, matéria, objetos, coisas. Tudo que vai ficar quando não mais estiver aqui, nesse planeta de gente esquisita.

Penso sempre naquele ser perdido no deserto carregando uma mala de dinheiro. Se não há água, de que valerá aquele monte de pedaço de papel? Penso no milionário em estado moribundo, esperando a morte chegar. Se não há mais vida, do que vale aquele monte de coisas que ele acumulou ao longo da vida? Vida essa que, por conta daqueles pedaços de papel, o fez perder amizades, discutir com familiares ou, até mesmo, romper elos de suma importância evolutiva. Penso na mãe que tem todo o dinheiro do mundo, mas não pode trazer o seu filho de volta. O que realmente você quer comprar? Se na verdade a vida é como um jogo tipo ‘Banco Imobiliário’, onde os jogadores permanecem anos e anos dando voltas e voltas, comprando e vendendo. Até que um dia o jogo acaba, você coloca as pecinhas nos seus devidos lugares, fecha o tabuleiro e é isso. Não há mais nada a fazer com aquelas casinhas de brinquedo. Ou aquele dinheirinho de papel.

Penso sempre em como mudar isso. Pelo menos na minha vida, que é a única que eu realmente tenho total liberdade, autonomia e direito sobre. Afinal, essa ideia de se mudar a vida dos outros é uma loucura que essa sociedade capitalista inventou. Fique satisfeito por mudar a sua e esqueça a dos outros.


É preciso plantar, pescar, matar se for preciso. Porque na natureza se encontra de tudo. Encontra-se alimento, água, remédio e paz. Por sorte, encontra-se até pessoas parecidas com você que, corajosamente, decidiram comprar felicidade. 

domingo, 4 de outubro de 2015

Notas da estrada: das liberdades

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É como aquele parque de diversões que um dia fui. Naquelas horas intermináveis de espera, para alguns segundos de estômago revirado e frio na espinha.

Na confiança de que o eterno existe, na gênese do abismo que é sentir e querer. Em palavras jogadas ao vento, que nunca desaparecerão. Em sensações que retornam junto com seus olhos sobre os meus.
E do alto daquela colina, pude perecer. Sentindo o frio entrando pelos meus poros e o cheiro da madeira queimando dentro daquela lareira. Dentro de mais um momento em que percebi o porquê de estar lá.

Comparei-o ao encarcerado que vê nas páginas de um livro a sua única chance de estar em qualquer outro lugar. Comparei-me a uma fábula qualquer, sobre rainhas perdidas em reinos distantes, bruxas e duendes mal compreendidos.


Silenciosamente, fiz uma prece. Deixei a cidade sem olhar pra trás. 

sábado, 5 de setembro de 2015

Sobre o final do inverno

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Começa o mês de desfazer malas. De contar dinheiro, amigos, estrelas e tudo mais que valer a pena. Recomeçar outros sonhos, mapear outros territórios e tentar se readaptar no meio que escolhi viver. Mês de reagendar cafés, atualizar o coração, o estômago, o médico e o dentista.

Começa o segundo ciclo do ano. Aquele ciclo cansativo. Aquele momento que passa mais rápido que nossos pensamentos. Hora de construção. Construir um final de ano tranquilo e estável. Merecer viagens distantes e silenciosas.  

Final de inverno cheio de gratidão e a certeza de ter feito escolhas certas dessa vez.
Começo de primavera cheio de esperança e a absoluta garantia de paz. 
Pela primeira vez na vida.

sábado, 15 de agosto de 2015

Sobre o Inverno

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Pesei minha mochila. Pouco mais de 10 quilos – que na primeira hora pareciam inofensivos, mas depois de alguns dias pareciam que iam quebrar minha coluna no meio. Trekking boots nos pés. Na mochila, um par de chinelos e um de AllStar, algumas roupas leves, dois conjuntos térmicos tipo segunda pele, dois casacos e perfumaria necessária. Sem maquiagem, sem escova de cabelo, o par de brincos da sorte nas orelhas, livro e um set list de arrasar no meu celular. Suficiente pra uma mochilada de mais ou menos duas semanas pelo Uruguai.

Minha amiga foi de avião direto pra Montevidéu alguns dias antes e depois foi me encontrar em Punta del Diablo. Eu entrei pela porta dos fundos. Poderia ficar aqui discursando sobre a escolha pela aventura, pela chance de conhecer Chuí, pela estrada que tanto amo... Mas vou ser bem honesta: foi pela economia. Entrar no Uruguai de ônibus me custou um terço do valor que pagaria se fosse direto. Foi cansativo, estressante, cheio de lugares bizarros, paradas no meio da noite e gringos perdidos, porém o valor compensou tudo isso aí.

Primeiro passo: passei alguns dias pesquisando tarifas promocionais para o trecho São Paulo/Porto Alegre. Apareceu uma mega máster blaster promoção pela Avianca, e lá estava eu, feliz da vida pagando menos de 290,00 reais por ‘ida e volta’ a Porto.  Chegando lá, fiz um transfer até a estação de trem usando um moderníssimo ‘aeromóvel’, e pelo valor de R$ 1,70 cheguei à rodoviária. A empresa Planalto faz esse trecho. Pouco mais de 7 horas de viagem, cheguei em Chuí. Aquele lugar onde o Brasil acaba, onde o câmbio é o melhor que existe e você não entende nada do que falam. Não é nem português, nem espanhol, nem inglês. É algo no meio disso tudo.

Tradição de mochileiro. 1: sorria pra todo mundo, arrume uns amigos gringos e descole bolachas gratuitamente. Foi assim que conheci Markus e Phillipe, dois rapazes de Hamburgo, que decidiram passar um ano rodando o mundo. Não sabiam pra onde ir, se interessaram pelo meu roteiro, e lá estávamos nós três procurando pousada e alimentação no meio da noite em Chuí. Encontramos o suficiente pra conseguirmos passar a noite aquecidos e alimentados. Na manhã seguinte, partimos pra Punta del Diablo. Mais um ônibus, mais algumas horas e lá estávamos mais uma vez, perdidos no meio do nada. Com exceção de dois cães que cruzaram nosso caminho, nada mais existia naquela praia. Nenhum comércio aberto, nenhum carro, nenhum ser humano. Apenas a felicidade de estar num paraíso perdido e vazio. Encontramos facilmente o hostel onde tinha reservas, e lá passamos os primeiros dias na ‘ex’ terra do Mujica.

Tradição de mochileiro. 2: antes de qualquer coisa, veja o que deixaram pra trás na geladeira. Sempre tem tempero, macarrão, molho de tomate, sal e óleo. Depois, vá ao mercado e compre o que falta. Com pouquíssimo dinheiro, você faz pelo menos 4 refeições.
Fizemos mais alguns amigos, descobrimos que não entendemos nada do inglês australiano, caminhamos por horas e horas pela praia deserta, tomamos chás, comemos doce de leite e rimos. Muito. De tudo, o tempo todo. Fotografei, li, (não) dormi.

Mochila nas costas, melhor pessoa do mundo do lado, fones de ouvido. Rumo à Castillos. Aquele lugar onde existia um caixa eletrônico e ônibus pra um monte de lugar. Aquele lugar onde o caixa eletrônico não funcionou, onde nenhum restaurante aceitava cartão de crédito e onde sentamos na calçada e quase choramos. Onde uma caixa do mercado docemente ofereceu que pagássemos com cartão algumas compras de uma senhora que pagaria com dinheiro. Onde conseguimos comprar pão, frios e suco pra almoçarmos e seguirmos cantando alegremente para um paraíso de verdade: Cabo Polonio. 

O ônibus te deixa numa espécie de terminal, onde você paga uma taxa pra poder entrar em Cabo. Um 4x4 te leva até o povoado por uma estrada rústica de aproximadamente 6 km. Lá tem um farol, um hostel, um mercadinho e praia. Lá tem leão marinho, lobo marinho, dunas e gaivotas. Lá tem espetáculos da natureza por todo lado, o dia todo, a noite toda. Lá é o lugar onde um dia eu vou morar. Lá tem o Sr. M. – não posso identifica-lo, por que ele pediu que mantivéssemos segredo sobre ele ter nos convidado a subir no farol depois do horário de visitação, gratuitamente, para vermos o pôr-do-sol lá de cima e termos a honra de acender as luzes do farol. Foi aquele momento em que eu agradeci o presente que o Universo estava me dando. Meus olhos encheram de lágrimas. Fiz uma oração e vi o mundo do ângulo que mais amo. Que mais busco.

Cabo Polônio foi onde conhecemos Mauro. Argentino, fotógrafo, alpinista, sonhador. Conhecemos Roxy e James. Casal de Whitehorse, Canadá. Mauro ficou no Viejo Lobo, onde mora e trabalha. Dividimos com ele um nascer do sol, uma lua cheia vermelha e algumas sessões de fotografia.



Depois de dois dias no povoado, seguimos pra Montevidéu, dessa vez com Roxy e James conosco. Roxy é escritora, viajante profissional. Até agora eu não entendi direito o que o James faz. Estão na estrada há 6 meses, começaram lá perto do Alasca e vão terminar na Patagônia. Casal interessantíssimo, companhias perfeitas pra dividir quartos compartilhados em hostels, refeições e algumas horas de caminhada.




Cidade. Pessoas, carros, transito. Taxista safado tentando enganar a gente. Arquitetura apaixonante, liberdade e comida cara. Walking tour gratuito. Montevidéu é aquele lugar que depois de alguns dias você já começa a procurar lugar pra morar. Aprendemos a andar pela cidade facilmente, tomamos cafés deliciosos, porém passamos mais tempo nas Ramblas do que em qualquer outro lugar. Lá na capital, conhecemos Lucas, paulista de Campinas e Grant, da Califórnia. Mais alguns argentinos e finalmente, alguns uruguaios. Deixamos nosso cadeado na fonte, agradecemos e partimos.


Seguimos pra Colonia do Sacramento. Cidade histórica, pequena, deliciosa. Nos despedimos de todo mundo. Roxy e James seguiram pra Córdoba com Lucas. Grant sumiu. 

Minha amiga foi pro aeroporto de Montevidéu e eu peguei o ônibus de volta pra Chuí, depois pra Porto Alegre.
Missão cumprida. Inverno de 2015 trazendo de volta a sensação de que vale a pena sim. Vale a pena o trabalho, o esforço, o amor e a dedicação. Tradição de mochileiro. 3: trabalhar pra ir cada vez mais longe, com a mochila cada vez mais leve.



Obrigada Mariana. 

Obrigada Universo. 



terça-feira, 30 de junho de 2015

Sobre o meu presente

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Paraitinga, envelhecida, inundada, reformada e vazia. Destino perfeito para comemorar, celebrar, silenciar, rir e dormir. Lugar ideal para renovar. E o mais importante: custa pouco.

Então nós, ‘wanderlusters’ entediadas com a vida, cansadas de buzinas das tão amadas e odiadas avenidas da cidade, precisando economizar até pasta de dente para as férias de Julho, decidimos nos aventurar nas montanhas. Dessa vez, escolhemos São Luiz do Paraitinga, interior de São Paulo, aproximadamente 2 horas da capital.

Vá até Taubaté e de lá vá até São Luiz. Do Tietê saem ônibus de hora em hora. Só tenha o cuidado de verificar os horários dos ônibus que vão pra São Luiz do Paraitinga. Fizemos todo o percurso em 4 horas, incluindo a troca de ônibus.

Onde ficar? Bom, escolhemos uma pousada, mais ou menos 2 km do centro histórico. Uma distância segura pra quem realmente não quer ouvir barulho nenhum. A propriedade não era a mais barata das opções nos sites de busca, mas levamos em consideração que não precisávamos sair de lá pra nada. Lá dentro havia lagos, trilhas, piscina, boa comida, um quarto com uma vista arrebatadora, e silêncio. Muito, exageradamente quieto.
Por estarmos praticamente no topo de uma montanha, ir à cidade a pé nos dava o prazer de longas caminhadas, descidas infinitas, escadarias floridas e pessoas sorrindo na sua direção. A cidade é pitoresca, tem poucas ruas e tudo tem cheiro de novo. Há alguns anos, uma forte chuva inundou a cidade toda, destruiu tudo e todas as pessoas com quem conversamos têm alguma história pra contar desse dia. A comida é muito boa, as sobremesas são caseiras e os cafés deliciosos.
Esse foi meu presente de aniversário. Envelhecer requer coragem, tranquilidade, delicadeza e boa companhia. Afinal de contas, “viagem é a única coisa que você compra que te deixa rico de verdade”.


Até a próxima.

domingo, 24 de maio de 2015

Sobre Maio

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Confissão ou desabafo? Sei lá. Sei que comecei esse blog pensando em falar apenas das minhas mochiladas, e de repente, me vejo presa a uma rotina em que viajar é uma das últimas prioridades da lista. Era pra dar dicas de lugares, e de repente, cá estou eu falando de novo apenas dos meus pensamentos. Era pra falar apenas nas experiências vividas fora da minha rotina, e de repente, a minha rotina é o que eu mais prezo hoje em dia. Não era pra falar de amor. E de repente, ôpa.

Falo agora de um mês surpreendente. De despedidas temporárias, celebrações novas e conquistas pessoais.

Sabe aquela famosa frase: ‘viajar é a única coisa que você compra que te deixa realmente rico’?  Pois então. Hoje são completos oito meses de trabalho voluntário. Sei que não é algo a ser tão comemorado assim, uma vez que se há a necessidade de um voluntário, há uma falência no sistema, há falhas na organização política e social do país. Mas a ideia do enriquecimento pelo trabalho remunerado só trouxe, até hoje, uma sequência de frustrações, decepções e desafetos por toda a minha vida. E quem diria... encontrei equilíbrio, alegria e paz onde não há a necessidade de acumular posses materiais. Finalmente encontrei algo além do dinheiro pra trazer conforto e segurança. Finalmente, algo que posso chamar de felicidade.

Estou enriquecendo, ao perceber o quanto posso evoluir dentro do meu novo espaço (simples e reduzido) e ao notar o quanto posso ter alegrias verdadeiras, apenas perdoando a mim mesma e entendendo o quanto eu posso fazer pelo próximo.


Prestes a entrar em um novo ano da minha vida, prestes a voltar pra estrada, pronta pra ser o que eu devo ser. 

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Sobre o enquanto

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É aquele momento em que me deito no escuro deste quarto, no silêncio merecido, ouvindo apenas o barulho da minha própria barriga que penso em como, de fato, o mundo volta ao seu lugar.
Parada, sem sair do lugar, sem querer sair do lugar. Naquela antiga sensação do relógio, que mesmo parado, quebrado e inútil, acerta duas vezes num dia. É assim, estou parada e a conta gotas as coisas se acertam. É o mundo que se move e se ajusta a minha volta. Estou parada ouvindo apenas os sons que meu corpo reproduz.
E dentro do silêncio da minha mente, voltam palavras, sensações, sentimentos e momentos. Sem saber ainda o que fazer, sem a nobreza do perdão que ainda me falta, admiro e respeito calada a nobreza de outrem. Permaneço calada e imóvel, esperando que o tempo continue me dizendo o que fazer.
Por enquanto, apenas o doo. Por amor, esse que me maltratou e agora me pede humildade.
Por enquanto, agradeço o veneno que se transformou em antídoto. O mofo que se transformou em cura.

Por enquanto, apenas resignação.

terça-feira, 31 de março de 2015

Sobre Março e Suas águas (ou a falta de)


Mês de cinco sábados. 
Mês pra ganhar dinheiro, se matar de trabalhar, correr, ler, estudar e emagrecer.
Mês pra assumir que o ano finalmente começou e é preciso arregaçar as mangas 
caso queira ter férias planejadas e organizadas em Julho.
Mês de cinco pessoas, cinco lugares, duas sensações e uma viagem.
Mês que amores voltam, sonhos se realizam e pessoas chegam.
Mês cansativo, corrido, fotografado e pouco dormido. 
Mês assistido e apaixonado.
Mês estabelecido e oficializado: o melhor mês do melhor ano. 
Mês intensamente vivido. 

Até mês que vem. 

terça-feira, 10 de março de 2015

Sobre Fevereiro - A laterpost

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Descobri que têm pessoas que gostam das minhas fotos. Pessoas que nunca imaginei conhecer nessa vida. Vejo o Sol nascendo em quase todas as partes do mundo e tenho o prazer de mostrar o meu mundo para um bom número de fotógrafos, pseudo-fotógrafos, fotógrafos amadores, desocupados viciados em aglomerar seguidores e amigos. Mundo em 1 por 1, universo de filtros, hashtags, destaques e apps, lugar estranho onde se vende seguidores, curtidas e comentários. Mas ainda não vende talento. Ainda não vende amigos. Ainda não vende gentileza.

Tenho um pouco de medo de onde isso vai dar. Uma hora vai morrer, como todas as outras redes sociais morreram pra mim. Por enquanto é delicioso observar o comportamento do ser humano quando se refere a seu ego e orgulho. Bizarra a necessidade de autoafirmação. De se mostrar algo que muitas vezes não se é. Instagram. Dividiu o mundo em dois grupos de pessoas: aqueles que seguem mais gente do que são seguidos e aqueles que são mais seguidos do que seguem. Aparentemente, o segundo grupo depende do primeiro.

O tipo de perfil mais comum é aquele que tem 24.983 seguidores, segue 32 pessoas, só posta selfie e ganha no máximo 19 curtidas. Sim, esse tipo de gente me dá medo. Nunca vou entender qual a necessidade de se ter um perfil assim.

Os que mais gosto são os urbanos, hipsters e wannabe cool. Tipo o meu.
Entendi que quem tem o que oferecer não precisa pedir. Diariamente apago comentários de gente pedindo pra eu “seguir de volta”. Normalmente, as galerias dessas pessoas são repletas de rostos, corpos, espelho de banheiro e bebida alcoólica. Não sigo. Fim.

E sim, o Instagram bloqueia seu perfil quando acha que você é um ‘ghost’. No universo de Igers, os perfis de robôs são mais comuns do que se imagina. De novo, pela simples necessidade de se ter seguidores.

Vamos entender que é uma rede social. É um lugar pra encontrar gente com gostos parecidos com os seus. Um lugar pra se fazer amigos sim. Parem de tratar seguidores como fãs. Meu mundo sempre começa virtualmente, mas eu sei trazê-lo pra vida real e aproveitar o que eu posso tocar. Muito além da tela do meu celular.  


sábado, 31 de janeiro de 2015

Sobre Janeiro

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E um dia, acho que uns dois anos atrás, eu escrevi numa rede social que ‘fotografar cura’. Não sei exatamente o que me curou, não posso afirmar que foi a fotografia, uma vez que nunca fiz curso nenhum pra isso (exceto os gratuitos online), nunca juntei dinheiro pra comprar uma câmera profissional e a única câmera que tenho em mãos é a do meu celular. Não sei o que foi, mas foi. Disseram-me dias atrás que aconteceu porque eu perdi o medo de mostrar o que eu tenho de bom. O medo de expor minha vida pra gente que não me conhece. O medo de ser de verdade em meio às mentiras e exageros virtuais. Mas eu fotografei e mostrei. Hoje minha janela aqui na quebrada que moro está em alguns feeds espalhados pelo mundo. Essa minha janela que eu olho há tantos anos. Sinto muito, mas preciso citar Paulo Coelho e a tal da síndrome do alquimista.

Intitulo-me ‘Sunset Hunter’ – caçadora de por do sol. Já joguei no Google: ‘Brasil, por do sol lindo’ e viajei pro primeiro link que apareceu. Esse blog é sobre isso, sobre minhas buscas. Por sol, por chuva, por cachoeira, por trilha, por estrada. E agora eu percebo que a minha janela é o que me curou. Não foi a fotografia em si. Mas foi entender que aqui é o único lugar do mundo em que eu realmente sou completa. É gratuito, é meu e faz parte de mim. É tudo aquilo que eu acredito que seja parte da satisfação de uma vida de tropeços.
Junto desse encontro e dessa resposta, encontrei (como consequência) uma satisfação profissional. Voluntária e remunerada hoje em dia caminham juntas, organizadas e amadas. Junto dessa completude, vieram as pessoas. Mais aprendizado, mais momentos pra dividir risadas altas e conhecimento. Encontrei a paz que me tiraram, encontrei aquele chão que eu perdi, encontrei de novo o prazer. Perdoei-me pelo que eu permiti que fizessem comigo, e ajo de tal forma que as reações do Universo me trazem a calma e o sorriso de volta. O que eu desejo ao mundo é o que o mundo anda me devolvendo.

Retorno à minha humilde rotina de um texto e um livro por mês, de muitas poesias guardadas na gaveta, de buscas por músicas e de organizar e trabalhar pras minhas próximas mochiladas. Volto pra falar de Fevereiro.

Nesse momento, apenas gratidão.