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domingo, 23 de novembro de 2014

Sobre a poesia, a arte e as ruas

Trilha sonora pra esse texto: clique aqui
 
 

Cansada, procurava um poema
Nos livros, pareciam presos a uma simultaneidade
De tristeza e felicidade, de sufoco e liberdade
No papel não eram mais suficientes
Queria amor, dor, vida, queria realidade
 
Nos muros perdidos, entre o anônimo e o reconhecido
Com ou sem sentido
Prazeres que apenas a combinação de letras provê
 
 
Apenas pra quem sente
Apenas pra quem vê
 
Queria sair de padrões, queria sair de seus pensamentos
Tomava qualquer café e voltada para antigos apartamentos
Entrava em qualquer ônibus, dormia em qualquer quarto
Acordava e continuava seus passos
Continuava procurando por abraços
 
Sentia Thompson, vomitava Bukowski, buscava Clarice
Registrava em sépia, preto, branca, letras e pessoas nuas
Espelhos, paredes, corpos e palavras
Voltava pra casa assistindo ao Sol nascer por trás dos prédios
Voltava pra casa olhando as paredes das ruas

Ignorava a figura que sempre a observava
Sempre com um bilhete preso em sua porta
Em todas as madrugadas em que voltava
Apagava a luz, fechava as janelas, bebia um gole de chá gelado
Embora pensemos que o presente decide o futuro
É o presente que define o passado


Encontrou a poesia
O silêncio
E, finalmente, a compaixão
 



 


 
 


 
 

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Sobre diálogos e minimalismos

Trilha sonora pra esse texto: clique aqui
 
 
- Por que você vem pra cá sempre no mesmo dia da semana, sempre no mesmo horário?
- Sou metódica.
- Por que aqui?
- Gosto do vazio e do silêncio.
- Escreve o quê?
- O que tiver vontade.
- Posso continuar aqui do teu lado?
- Já está.
 
 
- Não quer me perguntar nada?
- O que vem fazer aqui?
- Procuro abraços.
- Quer um?
- Por favor. Procuro amor também.
- Já encontrou alguma vez?
- Não.
- Por que continua?
- Sou metódico.
- Por que aqui?
- Gosto desse sofá.
- Este que estou sentada?
- Não. Este que estou sentado.
- Quer experimentar desse lado? A luz é linda aqui.
- Por favor.
 
 
 
- O que você quer?
- Trocar um par de asas por dois pés no chão. Mas agora preciso ir.
- Volta semana que vem?
- Não sei.
- Por favor.
- Por quê?
- Gosto de te ver sentada aqui. Posso saber teu nome?
- ...
- Preciso saber quem é você.
 
 
- Quer ir pra algum outro lugar?
- Aonde quer ir?
- Escolha.
 
 
- (...)
- (...)
 
 
- Obrigado.
- Até um dia.
 



 

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

About what I am

 

I am
Running through gusty fields
Inhaling, exhaling
Benumbed and glad
I am
Deeming myself worthy of this honor
Seething recollections of youth
Rekindling memories of blessings
Burying dreadful reminiscences
I am
Allowing large waves to rise up and drench me
Accepting that this deliverance is granted
And, finally, being blissful for what I really am:

Free
 




 

  

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Sobre meus fones de ouvido - parte II

 


Caminhar pela cidade sempre procurando um pôr-do-sol novo, o melhor café, o melhor sebo. Ter tempo pra essas coisas é um privilégio de quem tem a alma livre. Pra mim, o Sol sempre é mais lindo quando se põe no Vale do Anhangabaú, o melhor café é sempre o da Livraria Cultura e o Messias é o lugar mais legal pra se passar uma tarde. Sim, essa é minha rota ‘não me encham, hoje eu quero sair só’. Como não amar um lugar onde se pode ver um filme de arte no Cine Sesc a R$ 2,00 ou descobrir 6 esculturas do século passado gratuitamente expostas no centro da cidade? Como não querer estar por aí, de metrô pra cima e pra baixo, vendo Elvis Presley cantando ao vivo na Paulista, subindo e descendo os escadões da Avenida Nove de Julho, ou procurando street art da melhor qualidade?

Não é preciso estar nos melhores restaurantes, nas melhores salas de cinema ou nos shoppings mais badalados (aaargh). Um setlist incrível, uma garrafa d’água, óculos escuros, protetor solar, bilhete único carregado e um bom livro dentro da mochila. Disposição pra descobrir alguma coisa nova e um par de All Star nos pés. Saia do seu bairro. Não aceite companhia de quem não conhece nada além do seu próprio quarteirão. Não se prenda às amarras desse sentimento pequeno de bairrista provinciano.
Poxa, São Paulo é a cidade mais legal do mundo - pelo menos do mundo que eu conheci até agora. Sei que não foi muito, mas foi o suficiente pra eu afirmar isso. Obviamente, ela só é fantástica assim porque eu não passo o tempo todo dentro dela. Gosto de sair pra ter saudades daqui. E claro, quando estou por aqui, continuo procurando o que sempre procuro quando estou nas estradas. Busco caminhos novos, abraços anônimos e parques escondidos onde eu possa ler meu livro em paz. Aprecio a companhia apenas de quem respeita isso.

Seguem algumas fotos feitas nessas minhas andanças, e logo abaixo delas uma pequena seleção pra se ouvir 'in the city'.

 
 






 
 
 



 
An Urban Setlist
Crash Test Dummies - A little something
The Jesus and Mary Chain - April Skies
Faith No More - A Small Victory
Nouvelle Vague - Putain Putain
Club des Belugas - Frankie
Bebel Gilberto - Aganju
Adriana Calcanhotto - Vamos Comer Caetano
Nação Zumbi - O Que Te Faz Rir
Caetano Veloso - Fora da Ordem
Cazuza - Um Trem Para as Estrelas