sábado, 5 de setembro de 2015

Sobre o final do inverno

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Começa o mês de desfazer malas. De contar dinheiro, amigos, estrelas e tudo mais que valer a pena. Recomeçar outros sonhos, mapear outros territórios e tentar se readaptar no meio que escolhi viver. Mês de reagendar cafés, atualizar o coração, o estômago, o médico e o dentista.

Começa o segundo ciclo do ano. Aquele ciclo cansativo. Aquele momento que passa mais rápido que nossos pensamentos. Hora de construção. Construir um final de ano tranquilo e estável. Merecer viagens distantes e silenciosas.  

Final de inverno cheio de gratidão e a certeza de ter feito escolhas certas dessa vez.
Começo de primavera cheio de esperança e a absoluta garantia de paz. 
Pela primeira vez na vida.

sábado, 15 de agosto de 2015

Sobre o Inverno

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Pesei minha mochila. Pouco mais de 10 quilos – que na primeira hora pareciam inofensivos, mas depois de alguns dias pareciam que iam quebrar minha coluna no meio. Trekking boots nos pés. Na mochila, um par de chinelos e um de AllStar, algumas roupas leves, dois conjuntos térmicos tipo segunda pele, dois casacos e perfumaria necessária. Sem maquiagem, sem escova de cabelo, o par de brincos da sorte nas orelhas, livro e um set list de arrasar no meu celular. Suficiente pra uma mochilada de mais ou menos duas semanas pelo Uruguai.

Minha amiga foi de avião direto pra Montevidéu alguns dias antes e depois foi me encontrar em Punta del Diablo. Eu entrei pela porta dos fundos. Poderia ficar aqui discursando sobre a escolha pela aventura, pela chance de conhecer Chuí, pela estrada que tanto amo... Mas vou ser bem honesta: foi pela economia. Entrar no Uruguai de ônibus me custou um terço do valor que pagaria se fosse direto. Foi cansativo, estressante, cheio de lugares bizarros, paradas no meio da noite e gringos perdidos, porém o valor compensou tudo isso aí.

Primeiro passo: passei alguns dias pesquisando tarifas promocionais para o trecho São Paulo/Porto Alegre. Apareceu uma mega máster blaster promoção pela Avianca, e lá estava eu, feliz da vida pagando menos de 290,00 reais por ‘ida e volta’ a Porto.  Chegando lá, fiz um transfer até a estação de trem usando um moderníssimo ‘aeromóvel’, e pelo valor de R$ 1,70 cheguei à rodoviária. A empresa Planalto faz esse trecho. Pouco mais de 7 horas de viagem, cheguei em Chuí. Aquele lugar onde o Brasil acaba, onde o câmbio é o melhor que existe e você não entende nada do que falam. Não é nem português, nem espanhol, nem inglês. É algo no meio disso tudo.

Tradição de mochileiro. 1: sorria pra todo mundo, arrume uns amigos gringos e descole bolachas gratuitamente. Foi assim que conheci Markus e Phillipe, dois rapazes de Hamburgo, que decidiram passar um ano rodando o mundo. Não sabiam pra onde ir, se interessaram pelo meu roteiro, e lá estávamos nós três procurando pousada e alimentação no meio da noite em Chuí. Encontramos o suficiente pra conseguirmos passar a noite aquecidos e alimentados. Na manhã seguinte, partimos pra Punta del Diablo. Mais um ônibus, mais algumas horas e lá estávamos mais uma vez, perdidos no meio do nada. Com exceção de dois cães que cruzaram nosso caminho, nada mais existia naquela praia. Nenhum comércio aberto, nenhum carro, nenhum ser humano. Apenas a felicidade de estar num paraíso perdido e vazio. Encontramos facilmente o hostel onde tinha reservas, e lá passamos os primeiros dias na ‘ex’ terra do Mujica.

Tradição de mochileiro. 2: antes de qualquer coisa, veja o que deixaram pra trás na geladeira. Sempre tem tempero, macarrão, molho de tomate, sal e óleo. Depois, vá ao mercado e compre o que falta. Com pouquíssimo dinheiro, você faz pelo menos 4 refeições.
Fizemos mais alguns amigos, descobrimos que não entendemos nada do inglês australiano, caminhamos por horas e horas pela praia deserta, tomamos chás, comemos doce de leite e rimos. Muito. De tudo, o tempo todo. Fotografei, li, (não) dormi.

Mochila nas costas, melhor pessoa do mundo do lado, fones de ouvido. Rumo à Castillos. Aquele lugar onde existia um caixa eletrônico e ônibus pra um monte de lugar. Aquele lugar onde o caixa eletrônico não funcionou, onde nenhum restaurante aceitava cartão de crédito e onde sentamos na calçada e quase choramos. Onde uma caixa do mercado docemente ofereceu que pagássemos com cartão algumas compras de uma senhora que pagaria com dinheiro. Onde conseguimos comprar pão, frios e suco pra almoçarmos e seguirmos cantando alegremente para um paraíso de verdade: Cabo Polonio

O ônibus te deixa numa espécie de terminal, onde você paga uma taxa pra poder entrar em Cabo. Um 4x4 te leva até o povoado por uma estrada rústica de aproximadamente 6 km. Lá tem um farol, um hostel, um mercadinho e praia. Lá tem leão marinho, lobo marinho, dunas e gaivotas. Lá tem espetáculos da natureza por todo lado, o dia todo, a noite toda. Lá é o lugar onde um dia eu vou morar. Lá tem o Sr. M. – não posso identifica-lo, por que ele pediu que mantivéssemos segredo sobre ele ter nos convidado a subir no farol depois do horário de visitação, gratuitamente, para vermos o pôr-do-sol lá de cima e termos a honra de acender as luzes do farol. Foi aquele momento em que eu agradeci o presente que o Universo estava me dando. Meus olhos encheram de lágrimas. Fiz uma oração e vi o mundo do ângulo que mais amo. Que mais busco.

Cabo Polônio foi onde conhecemos Mauro. Argentino, fotógrafo, alpinista, sonhador. Conhecemos Roxy e James. Casal de Whitehorse, Canadá. Mauro ficou no Viejo Lobo, onde mora e trabalha. Dividimos com ele um nascer do sol, uma lua cheia vermelha e algumas sessões de fotografia.



Depois de dois dias no povoado, seguimos pra Montevidéu, dessa vez com Roxy e James conosco. Roxy é escritora, viajante profissional. Até agora eu não entendi direito o que o James faz. Estão na estrada há 6 meses, começaram lá perto do Alasca e vão terminar na Patagônia. Casal interessantíssimo, companhias perfeitas pra dividir quartos compartilhados em hostels, refeições e algumas horas de caminhada.




Cidade. Pessoas, carros, transito. Taxista safado tentando enganar a gente. Arquitetura apaixonante, liberdade e comida cara. Walking tour gratuito. Montevidéu é aquele lugar que depois de alguns dias você já começa a procurar lugar pra morar. Aprendemos a andar pela cidade facilmente, tomamos cafés deliciosos, porém passamos mais tempo nas Ramblas do que em qualquer outro lugar. Lá na capital, conhecemos Lucas, paulista de Campinas e Grant, da Califórnia. Mais alguns argentinos e finalmente, alguns uruguaios. Deixamos nosso cadeado na fonte, agradecemos e partimos.


Seguimos pra Colonia do Sacramento. Cidade histórica, pequena, deliciosa. Nos despedimos de todo mundo. Roxy e James seguiram pra Córdoba com Lucas. Grant sumiu. 

Minha amiga foi pro aeroporto de Montevidéu e eu peguei o ônibus de volta pra Chuí, depois pra Porto Alegre.
Missão cumprida. Inverno de 2015 trazendo de volta a sensação de que vale a pena sim. Vale a pena o trabalho, o esforço, o amor e a dedicação. Tradição de mochileiro. 3: trabalhar pra ir cada vez mais longe, com a mochila cada vez mais leve.



Obrigada Mariana. 

Obrigada Universo. 



terça-feira, 30 de junho de 2015

Sobre o meu presente

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Paraitinga, envelhecida, inundada, reformada e vazia. Destino perfeito para comemorar, celebrar, silenciar, rir e dormir. Lugar ideal para renovar. E o mais importante: custa pouco.

Então nós, ‘wanderlusters’ entediadas com a vida, cansadas de buzinas das tão amadas e odiadas avenidas da cidade, precisando economizar até pasta de dente para as férias de Julho, decidimos nos aventurar nas montanhas. Dessa vez, escolhemos São Luiz do Paraitinga, interior de São Paulo, aproximadamente 2 horas da capital.

Vá até Taubaté e de lá vá até São Luiz. Do Tietê saem ônibus de hora em hora. Só tenha o cuidado de verificar os horários dos ônibus que vão pra São Luiz do Paraitinga. Fizemos todo o percurso em 4 horas, incluindo a troca de ônibus.

Onde ficar? Bom, escolhemos uma pousada, mais ou menos 2 km do centro histórico. Uma distância segura pra quem realmente não quer ouvir barulho nenhum. A propriedade não era a mais barata das opções nos sites de busca, mas levamos em consideração que não precisávamos sair de lá pra nada. Lá dentro havia lagos, trilhas, piscina, boa comida, um quarto com uma vista arrebatadora, e silêncio. Muito, exageradamente quieto.
Por estarmos praticamente no topo de uma montanha, ir à cidade a pé nos dava o prazer de longas caminhadas, descidas infinitas, escadarias floridas e pessoas sorrindo na sua direção. A cidade é pitoresca, tem poucas ruas e tudo tem cheiro de novo. Há alguns anos, uma forte chuva inundou a cidade toda, destruiu tudo e todas as pessoas com quem conversamos têm alguma história pra contar desse dia. A comida é muito boa, as sobremesas são caseiras e os cafés deliciosos.
Esse foi meu presente de aniversário. Envelhecer requer coragem, tranquilidade, delicadeza e boa companhia. Afinal de contas, “viagem é a única coisa que você compra que te deixa rico de verdade”.


Até a próxima.

domingo, 24 de maio de 2015

Sobre Maio

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Confissão ou desabafo? Sei lá. Sei que comecei esse blog pensando em falar apenas das minhas mochiladas, e de repente, me vejo presa a uma rotina em que viajar é uma das últimas prioridades da lista. Era pra dar dicas de lugares, e de repente, cá estou eu falando de novo apenas dos meus pensamentos. Era pra falar apenas nas experiências vividas fora da minha rotina, e de repente, a minha rotina é o que eu mais prezo hoje em dia. Não era pra falar de amor. E de repente, ôpa.

Falo agora de um mês surpreendente. De despedidas temporárias, celebrações novas e conquistas pessoais.

Sabe aquela famosa frase: ‘viajar é a única coisa que você compra que te deixa realmente rico’?  Pois então. Hoje são completos oito meses de trabalho voluntário. Sei que não é algo a ser tão comemorado assim, uma vez que se há a necessidade de um voluntário, há uma falência no sistema, há falhas na organização política e social do país. Mas a ideia do enriquecimento pelo trabalho remunerado só trouxe, até hoje, uma sequência de frustrações, decepções e desafetos por toda a minha vida. E quem diria... encontrei equilíbrio, alegria e paz onde não há a necessidade de acumular posses materiais. Finalmente encontrei algo além do dinheiro pra trazer conforto e segurança. Finalmente, algo que posso chamar de felicidade.

Estou enriquecendo, ao perceber o quanto posso evoluir dentro do meu novo espaço (simples e reduzido) e ao notar o quanto posso ter alegrias verdadeiras, apenas perdoando a mim mesma e entendendo o quanto eu posso fazer pelo próximo.


Prestes a entrar em um novo ano da minha vida, prestes a voltar pra estrada, pronta pra ser o que eu devo ser. 

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Sobre o enquanto

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É aquele momento em que me deito no escuro deste quarto, no silêncio merecido, ouvindo apenas o barulho da minha própria barriga que penso em como, de fato, o mundo volta ao seu lugar.
Parada, sem sair do lugar, sem querer sair do lugar. Naquela antiga sensação do relógio, que mesmo parado, quebrado e inútil, acerta duas vezes num dia. É assim, estou parada e a conta gotas as coisas se acertam. É o mundo que se move e se ajusta a minha volta. Estou parada ouvindo apenas os sons que meu corpo reproduz.
E dentro do silêncio da minha mente, voltam palavras, sensações, sentimentos e momentos. Sem saber ainda o que fazer, sem a nobreza do perdão que ainda me falta, admiro e respeito calada a nobreza de outrem. Permaneço calada e imóvel, esperando que o tempo continue me dizendo o que fazer.
Por enquanto, apenas o doo. Por amor, esse que me maltratou e agora me pede humildade.
Por enquanto, agradeço o veneno que se transformou em antídoto. O mofo que se transformou em cura.

Por enquanto, apenas resignação.

terça-feira, 31 de março de 2015

Sobre Março e Suas águas (ou a falta de)


Mês de cinco sábados. 
Mês pra ganhar dinheiro, se matar de trabalhar, correr, ler, estudar e emagrecer.
Mês pra assumir que o ano finalmente começou e é preciso arregaçar as mangas 
caso queira ter férias planejadas e organizadas em Julho.
Mês de cinco pessoas, cinco lugares, duas sensações e uma viagem.
Mês que amores voltam, sonhos se realizam e pessoas chegam.
Mês cansativo, corrido, fotografado e pouco dormido. 
Mês assistido e apaixonado.
Mês estabelecido e oficializado: o melhor mês do melhor ano. 
Mês intensamente vivido. 

Até mês que vem. 

terça-feira, 10 de março de 2015

Sobre Fevereiro - A laterpost

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Descobri que têm pessoas que gostam das minhas fotos. Pessoas que nunca imaginei conhecer nessa vida. Vejo o Sol nascendo em quase todas as partes do mundo e tenho o prazer de mostrar o meu mundo para um bom número de fotógrafos, pseudo-fotógrafos, fotógrafos amadores, desocupados viciados em aglomerar seguidores e amigos. Mundo em 1 por 1, universo de filtros, hashtags, destaques e apps, lugar estranho onde se vende seguidores, curtidas e comentários. Mas ainda não vende talento. Ainda não vende amigos. Ainda não vende gentileza.

Tenho um pouco de medo de onde isso vai dar. Uma hora vai morrer, como todas as outras redes sociais morreram pra mim. Por enquanto é delicioso observar o comportamento do ser humano quando se refere a seu ego e orgulho. Bizarra a necessidade de autoafirmação. De se mostrar algo que muitas vezes não se é. Instagram. Dividiu o mundo em dois grupos de pessoas: aqueles que seguem mais gente do que são seguidos e aqueles que são mais seguidos do que seguem. Aparentemente, o segundo grupo depende do primeiro.

O tipo de perfil mais comum é aquele que tem 24.983 seguidores, segue 32 pessoas, só posta selfie e ganha no máximo 19 curtidas. Sim, esse tipo de gente me dá medo. Nunca vou entender qual a necessidade de se ter um perfil assim.

Os que mais gosto são os urbanos, hipsters e wannabe cool. Tipo o meu.
Entendi que quem tem o que oferecer não precisa pedir. Diariamente apago comentários de gente pedindo pra eu “seguir de volta”. Normalmente, as galerias dessas pessoas são repletas de rostos, corpos, espelho de banheiro e bebida alcoólica. Não sigo. Fim.

E sim, o Instagram bloqueia seu perfil quando acha que você é um ‘ghost’. No universo de Igers, os perfis de robôs são mais comuns do que se imagina. De novo, pela simples necessidade de se ter seguidores.

Vamos entender que é uma rede social. É um lugar pra encontrar gente com gostos parecidos com os seus. Um lugar pra se fazer amigos sim. Parem de tratar seguidores como fãs. Meu mundo sempre começa virtualmente, mas eu sei trazê-lo pra vida real e aproveitar o que eu posso tocar. Muito além da tela do meu celular.